segunda-feira, 25 de junho de 2012

VIII Capítulo

   Estava eu já a sonhar com o galã do filme que tínhamos visto quando comecei a ouvir alguém intrometer-se no meu sonho.
-Sol, Sooool, SOOOL!
Ah, as vozes começaram a fazer sentido... Esfreguei os olhos para acordar e percebi que estava com a cabeça deitada no colo de alguém, olhei para cima e vi que era no colo de Andrew que a minha cabeça estava poisada. Olhei em redor e percebi que já era de manhã. Teríamos adormecido e ficado ali toda a noite?!
-Bom dia dorminhoca!- cumprimentou-me Mel enquanto me entregava uma caneca com café.
-Bom dia!- disse eu levantando-me para receber a caneca.
-Fogo miúda, tu dormes que nem uma pedra!- disse Andrew rindo.
Corei um pouco, mas ignorei o comentário dando um gole no café. Humm! Estava mesmo forte, a Mel tem mania de exagerar em TUDO!
-Passamos todos a noite aqui?!- perguntei eu perplexa.
-Sim.- responde Dave dando sinal de vida- Tu adormeceste a meio do filme mas nós ainda vimos mais um só que acabamos por adormecer...
Comecei a rir-me, era sempre a primeira a adormecer...
-Que tal irmos dar uma volta ao Central Park?- propôs Andrew.
   Obviamente a ideia foi aceite.
                                                            ***
   Em vinte minutos já estavamos todos dentro do Zoo do Central Park. Mel e Dave já se encontravam no  mundo deles quando entramos no recinto dos pinguins, por isso eu e Andrew ficamos sozinhos. Era estranho não conseguir falar com ele, coisa tão fácil antigamente, mas supus que o que aconteceu o Verão passado antes de abandonar Manhattan tenha sido a verdadeira razão da mudança da nossa relação de amizade.
-Sol? Estás bem? Andas muito calada...- disse Andrew quebrando finalmente o silêncio.
   Ocorreram-me mil coisas para lhe dizer, nenhuma conveniente... Já não me sentia tão à vontade com Andrew, mas ele continuava a ser um dos meus melhores amigos. Um dos responáveis de tudo o que aconteceu foi ele por isso achei que ele precisava de saber a verdade.
-Sabes...- disse a medo- Acabei com o Alex por ele me ter traído com Charlie. 
-Sim, já sabia. A Mel contou-me para que eu não te fizesse perguntas incómodas.- explicou-me ele.
-Pois, foi o que aconteceu, mas em parte a culpa também foi minha! Senti-me culpada durante todo o Verão e por isso afastei-me dele. Não o posso culpar completamente, à Charlie sim, a ele não...- expliquei-lhe.
-Isso tudo de te sentires culpada tem alguma coisa a haver com aquilo que aconteceu este Verão antes de ires para Portugal?!- perguntou-me ele com cautela.
-Talvez...- murmurei eu afastando-me dele para ver os pinguins mais de perto.
   Andrew percebeu que eu precisava de estar uns momentos a sós. pelo que, ao fim de algum tempo virei-me e encarei-o:
-Andrew, será que lhe devia ter contado o que aconteceu?! Afinal não passou de um erro...
Andrew meditou durante uns segundos e por fim sentou-se num banco e apontou para o espaço vago que tinha ao lado dele para eu me sentar. Ao fim de alguns minutos disse:
-Olha Sol, eu não sei o que está certo, nem o que está errado, mas os segredos do passado Às vezes criam grandes problemas no presente..
-Então achas que deviamos enterrar o passado?- perguntei eu baralhada.
-Eu não disse isso!- exclamou Andrew- Acho que a decisão é só tua, mas lembra-te, aconteça o que acontecer podes contar sempre comigo! É sempre bom termos um amigo...- disse-me piscando-me o olho.
   Sorri, sabia que em Andrew podia sempre encontrar ajuda, ele era e sempre fora o meu porto de abrigo. Abracei-o e ficamos assim, abraçados, durante algum tempo, como se estivessemos a selar um pacto em que ambos prometiamos deitar o passado para trás das costas.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

VII Capítulo

   O táxista deixou-me à frente do prédio de Mel. Estava num estado lastimável, trazia os sapatos de salto na mão e a maquilhagem estava toda borrada devido às lágrimas.Abri a minha mala e tirei um espelho e uma toalhita, que levava sempre comigo para emergências, e limpei a maquilhagem que estava borrada e retoquei-a.
   Bati à porta, já com a maquilhagem feita e a sentir.me melhor. Ouvi passos no interior e finalmente ouvi o click da porta a abrir-se. Andrew estava à minha frente, com a mão na maçaneta, surpreso por me ver.
-Sol? A Mel disse que vinhas tarde.- disse-me ele surpreso.
Quando viu o meu estado mudou radicalmente para um tom muito mais doce:
-Estás bem? Estiveste a chorar Sol? Entra, entra deves querer descansar.
   Sorri, já estava habituava à constante preocupação de Andrew, era sempre assim desde que o tinha conhecido quando tinha apenas nove anos. Ele sempre achou que era seu dever proteger-nos(a mim, à Mel e à Charlie) por ser o único rapaz do grupo, sim porque Alex e Dave(o namorado de Mel) só tinham entrado no nosso grupo á cerca de três anos e mesmo assim Andrew continuava muito protetor connosco.
   Entrei no quarto de Mel e encontrei-a aos beijos com Dave. Ri-me da atrapalhação deles quando notaram a minha presença. Aproximei-me de Dave e cumprimentei-o com dois beijos, por fim disse:
-Fogo Dave, cresceste rapaz!
Ele começou a rir-se do meu espanto e apertou mais Mel que estava debaixo do seu braço. Não estava a dizer mentira nenhuma. Quando saí de Manhattan para ir de férias para Portugal, Dave era da minha altura agora já me ultrapassava alguns centímetros.
   O ambiente estava  estranho no quarto, por isso sugeri:
-o que acham de ver-mos um filme na sala? Vou só chamar Andrew. 
Eles concordaram por isso fui até ao quarto de Andrew(que eu já conhecia das inúmeras vezes que lá tinha ido para ir jogar playstation ou simplesmente conversar com Andrew) e bati à porta.
   Andrew abriu-me a porta e eu fiz-lhe a mesma pergunta que fiz a Mel e Dave. Obviamente ele aceitou e fomos para a sala de estar de Mel. Eles tinham um televisor plasma enorme e dois sofás de duas pessoas. Sentei-me ao lado de Andrew enquanto Mel e Dave se acomodaram no outro sofá. Decidimos o filme que íamos ver e apagamos as luzes.
   Finalmente, puseram play.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Nota

Nunca esquecer o aniversário da melhor amiga mesmo que não fales com ela à muito tempo e sejas distraída. Ela não vai achar piada nenhuma...
Big fail Filipa...

sábado, 16 de junho de 2012

VI Capítulo

   A noite estava a correr muito bem, até demais. Alex tinha percebido que eu estava distante por isso não tentou abordagens de reaproximação muito descaradas. Evitava olhar para ele, o meu plano podia não resultar se eu olhasse para ele durante mais que alguns momentos.
   Passamos o jantar praticamente todo calados ou então tendo conversa de circunstância. Finalmente ele pagou a conta e saímos. Só aí ele falou do assunto que tinha estado a pairar sobre nós durante toda a noite:
-Mel, vá lá, sê racional, tend de perdoar-me!
Sorri, sabia que ele ia dizer aquilo, mas eu não estava disposta a sofrer mais.
-Não te preocupes, eu perdoo-te.- disse-lhe eu.
   Ele avançou, tentando dar-lhe um beijo, mas eu coloquei as minhas mãos à frente e abanei a cabeça.
-Não Alex.- proferi- Perdoo-te, mas não desse modo, não vou voltar a andar contigo, o que fizeste foi demasiado mau.
As lágrimas afloraram-me novamente os olhos e Alex começou a ir-se a embora quase a correr. Só tive noção que ele se estava afastar-se após alguns segundos. Gritei o nome dele, ele não se voltou, por isso corri atrás dele.
-Alex, o que se passa?- Perguntei.
-Nada, Sol, nada.- respondeu-me ele desanimado.
-Estás a mentir. Diz-me o que se passa, por favor!- supliquei.
   Ele suspirou, percebi que ele finalmente ia ser sincero comigo. 
-Abris-te o teu e-mail durante o Verão?- perguntou-me muito sério.
-Não.- respondi-lhe envergonhada.- E mantive o telemóvel desligado.- confessei envergonhada.
-Eu mandei-te um e-mail TODAS as semanas o Verão inteiro, e tu NUNCA me respondeste.- disse-me desgostoso.
-Desculpa.- sussurrei.
   Ele lançou-me a sombra de um sorriso, parecia estar a lembrar-se de algo engraçado. Por fim disse-me:
-Não te culpo Sol, eu sabia que estas em Portugal e bem de saúde. Mas senti-me magoado.
-Compreendo.- disse-lhe- Mas isso é razão suficiente para me traíres?- perguntei enfurecida.
-Não.- concordou ele.- Mas tu já estavas estranha à algum tempo, no final das aulas estavas muito distante de mim.
   Mordi o lábio. Ele afinal tinha topado isso... Percebi que a conversa já não ia a lado nenhum. Olhei Alex nos olhos e por fim disse:
-Parece-me que já não temos nada a falar. Obrigada pelo jantar.
Dei-lhe dois beijos na cara e virei as costas sem esperar para ver a reação dele. Mandei vir um táxi, entrei e finalmente o táxista perguntou-me:
-Para onde deseja ir a menina?
   Os meus olhos inundaram-se de lágrimas. Para onde ir? Para casa onde a minha mãe e o meu irmão me iam dar apoio? Para casa de Mel onde ela estava à minha espera para eu ver um filme com ela e com Andrew? Ou ir até casa de Charlie e dar-lhe uma oportunidade para se explicar?
   Finalmente, decidi.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A todos os que visitam este blog peço desculpa pelo tempo que demoro a por um novo capítulo, por vezes a inspiração não vem e não vou fazer um novo capítulo por obrigação se for para ficar mal escrito. Obrigada pela compreensão :)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

V Capítulo

   Mel tinha razão, o salão de beleza era incrível. Saí de lá sentindo-me uma verdadeira princesa, o meu cabelo estava muito mais curto(um bocadinho abaixo dos ombros), as minhas unhas pintadas com uns flocos de neves pequeninos e amorosos e tinha feito um tratamento facial que deixara a minha cara fresca, macia e limpa como a de um bebé. Fomos a centro comercial fantástico e aproveitamos para fazermos a maquilhem, estávamos divinas. Só faltava mesmo escolher a roupa, mas para isso era preciso ir para casa de Mel por isso apanhamos um táxi.
   Mais uma vez Mel estava disposta a exagerar no meu vestuário por isso virei-me para ela e disse-lhe:
-EU é que me vou encontrar com o Alex, logo EU é que escolho a roupa que vou usar!
-Está bem, está bem.- concordou ela divertida com a minha reação.
Para respeita também o gosto de Mel vesti um vestido roxo, simples sem costas e calcei uns sapatos de salto pretos. Dirigi-me ao centro do quarto de Mel e dei uma voltinha para ela me dar a sua opinião.
   Nesse momento bateram à porta. Mel berrou para que quem quer que fosse entrasse. A porta abriu-se de rompante e vi um dos rapazes mais giros de Manhattam a dirigir-se a mim. Andrew. O irmão gémeo de Mel. Em termos de feições era muito parecido à irmã, os mesmos olhos, o mesmo cabelo... de resto, completamente diferente! Tinha pelo menos mais dez centímetros que eu, um corpo escultural e a boca mais maravilhosa que eu já tinha visto. Se fosse  num filme este seria o momento em que eu me apaixonava perdidamente por ele. Mas não, a vida real é bem diferente e eu já conhecia Andrew há anos, logo não seria amor à primeira vista(ou qualquer tipo de amor).
   Dirigi-me a ele com um grande sorriso e dei-lhe dois beijos na face.
-Bem, não nos vemos há muito1- disse eu sorrindo.
-Pois!- concordou ele- Vá vou deixar às donzelas acabarem de se arranjar. Foi um prazer rever-te Sol, estás muito bonita.- disse ele piscando-me o olho.
Saiu do quarto e Mel começou a tagarelar sobre o meu encontro dessa noite com Alex. Sinceramente estava empolgada com o que iria acontecer nessa noite.
   Finalmente tinha decidido o que iria fazer. No principio da noite seria carinhosa com Alex, como se fosse perdoá-lo, na hora das despedidas ir-lhe-ia  dizer que não existia a mínima hipótese de ficarmos juntos, após tudo o que se tinha passado com Charlie. Algumas pessoas vão considerar este plano vingativo mas então' Pouco me importa. Não ia contar o meu plano à Mel antes de realizá-lo, ela ficaria triste por saber que eu não ia perdoar Alex. Mas eu perdoava-o completamente, só não me esqueceria nunca do que se passou entre ele e Charlie.
   Virei-me para Mel e disse:
-Telefona a um táxi, está na hora.
E fui.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

IV Capítulo

   Já estava mais animada, o facto de estarmos vestidas de forma ridícula ajudou à festa pois todas as pessoas que passavam olhavam-nos de lado e começavam a rir assim como nós.
   Entramos no tal café e sentamos-nos numa mesa, e mais uma vez chamamos a atenção com as nossas roupas extravagantes. Mel pediu dois capuccinos e dois croissants de chocolate e deliciamos-nos com aquelas iguarias.
   Estávamos a acabar o nosso pequeno-almoço quando uma figura que nos era familiar entrou. Não havia que enganar. O cabelo ruivo lonmgo e liso e os grandes olhos verdes que nesse dia estavam cobertos com uns grandes óculos de Sol, mesmo assim conhecia aquela figura em qualquer lado. Com uma camisa de ganga com um nó acima do umbigo que deixava mostrar o corpo perfeitamente bronzeado, uns calções de ganga verde mínimos e umas sandálias de salto brancas, não havia dúvida de qual a razão do Alex me ter trocado por ela.
   Sim, obviamente que falava de Charlie, não sei como ela teve a coragem de vir ter connosco e de se sentar à nossa mesa. Tirou os óculos, agitou o cabelo e olhou para mim com aqueles seus grandes olhos e finalmente falou.
-Sol, finalmente te encontro...
Não ouvi mais nada. Peguei no Iphone, coloquei os auscultadores, cliquei no play e meti o volume no máximo. Percebi que Mel tinha começado a discutir com Charlie e esta última tinha começado a chorar.Tentei abstrair-me disto tudo, repetindo para mim mesma "Harry Potter"(palavras que sempre me acalmaram) e fechei os olhos.
   Funcionou durante uns minutos, já estava "embalda" nas histórias do Harry Potter, quando sinto a presença de alguém à minha frente que me afasta os cabelos que tapavam os auscultadores e mos tira com extrema meiguice que me provoca um arrepio. Parecia o Alex que eu conhecia, não o que me tinha traído com a minha melhor amiga. Não queria abrir os olhos com medo que aquela sensação desaparecesse mas acabei por ter de abri-los.
   Vi à minha frente uns grandes olhos cor de avelã, uma boca séria que quando sorria  era linda e um cabelo castanho escuro levemente espetado. Mais uma vez fiquei sem ar só de olhar para ele e comecei a piscar os olhos para ver se saía do "transe".
   Sem saber bem como, encostei a cabeça ao ombro de Alex e comecei a chorar e a soluçar. Ele abraçou-me e sussurrou-me ao ouvido:
-Acalma-te Sol! Vá lá, não chores querida.
Senti alguém puxar-me para longe daquele abraço, olhei para trás e vi a Mel.
-Calma Mel, não a estava a atacar- disse despreocupadamente Alex.
-Afasta-te dela-avisou Mel num sussurro ameaçador.
-Sol, vá lá, sê razoável! Não podemos acabar desta forma, temos de conversar ao menos!- implorou ele.
   Mordi o lábio, não tinha a certeza de ser forte o suficiente para conseguir falar com ele. Não sei bem como mas Alex consegue sempre dar-me a volta.
-Hum, 'tá bem.- acabei por assentir- Logo à noite no restaurante italiano onde costumávamos encontrarmos-nos. Até logo.- despedi-me eu.
-Obrigada Sol, até logo.-disse Alex.
   Obriguei Mel a soltar-me e encaminhei-me para a saída quando ouvi a voz trémula de Charlie.
-E eu Sol? Não vais mesmo ouvir-me?
Virei-me para ela com um sorriso irónico e disse:
-Achas mesmo "querida"? O Alex... ainda consigo compreender, afinal é rapaz e os rapazas são fracos, ou pelo menos a maioria é. Agora tu?- ri-me ironicamente- o que fizeste é imperdoável, sinceramente, a minha melhor amiga... Nunca pensei!
   Ouvi Charlie chorar baixinho mas ignorei e saí porta fora. Mel olhou para mim num misto de alegria e incredulidade e disse-me:
-Sol, deixaste-me muito orgulhosa! A sério, perdoares o Alex foi um bom começo.
Virei-me para ela e proferi:
-Eu ainda não o perdoei Mel, simplesmente dei-lhe oportunidade de se explicar.
Rimo-nos as duas e continuamos o nosso caminho.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

III Capítulo

    -Sol...- sussurrou Mel.
Eu sabia que ela ainda não tinha cessado as perguntas, mas estava a controlar-se para não me chatear, mas agora no escuro do quarto, depois de vermos dois filmes, ela não conseguia controlar-se, por isso virei-me para ela e questionei:
-Sim?
-Olha, eu concordo que te sintas traída, eu própria estou zangada com a Charlie e com o Alex, por isso se quiseres eu deixo de falar com eles!- disse-me ela.
    Ri-me. Que tonta a minha melhor amiga, nunca na vida lhe iria pedir que ela deixasse de falar com Charlie!
-Não, minha parva!- disse-lhe eu- Sei que a Charlie é muito tua amiga, não quero que percas isso.
-Mas o que ela te fez...- a voz dela começou a baixar de tom- Tenho medo Sol, medo que ela me faça o mesmo que te fez.
    Ah! Já tinha percebido. Ela estava aterrorizada. Coitadinha da minha amiga. Abracei-a e tentei acalmá-la dizendo:
-Shiuuu, calma, ela não te vai fazer isso, não vai. Calma...
Grossas lágrimas escorriam-me pela face pois eu sabia que aquilo que eu estava a dizer podia não ser verdade, afinal a Charlie tinha-me feito isso. Pior, pior é que eu gostava a sério do Alex. Charlie não tinha o direito de me estragar a vida!
Adormeci abraçada a Mel e tive uma noite sem sonhos.
 ***
    Acordei na manhã seguinte e Mel já estava cheia de energia. A minha melhor amiga encontrava-se a atirar roupa para fora do armário e mal me viu com os olhos abertos começou logo a mandar:
-Sol! Toca a sair da cama! Vá, vá bela adormecida, não temos o dia todo! Veste essa roupa que eu deixei aí para ti e despacha-te. Comemos o pequeno-almoço num café muito fixe que fica mesmo perto de sitio para onde vamos.
    Não estava a perceber nada, esfreguei os olhos e voltei a abri-los para ver se estava finalmente a sonhar, mas não, Mel continuava ali.
-Mel, do que estás a falar? Onde vamos? Que pressa é essa?!- balbuciei eu eu.
-Ó Sol, vamos  a um dos melhores salões de beleza do país! Agora despacha-te que estamos atrasada!
Levantei-me resignada e dirigi-me à casa de banho para tomar um duche. Quando Mel mete uma coisa na cabeça não vale a pena dizer que não, pois ela consegue sempre dar-nos a volta com o seu olhar.
    Ah, é verdade! Esqueci-me de descrever a Mel. Bom, ela tem ar de anjinho, cabelo encaracolado da cor de trigo maduro, olhos cor de mel com umas pestanas muito longas e espessas, para finalizar é baixinha, não muito, mas o suficiente para ter ar de princezinha indefesa.
    Saí do duche e peguei na roupa que Mel escolhera para mim. Suspirei e revirei os olhos, já devia estar à espera. Enquanto eu calço sapatos de salto raso ou não muito altos e visto roupa confortável, a minha melhor amiga tem o estilo de "Little Queen" do colégio o que acaba por ser verdade, tudo o que a Mel veste, diz ou faz torna-se regra na escola e as 'pequenas abelhas' que a seguem como se ela fosse a rainha mestra, são uns mini-clones dela. Depois mais à parte estamos eu e a Charlie, não somos rainhas mas pode se dizer que somos "princesas". É completamente entediante.
    Mas como estava eu a dizer a roupa que Mel tinha escolhida para mim era completamente despropositada. Um vestido azul claro mínimo, umas luvas sem dedos do género ciclista rosa velho, uns sapatos com um salto de dez centímetros também rosa velho, uns sapatos com um salto de dez centímetros também em rosa velho e, para finalizar uma tiara ridícula.
    Mel deve ter percebido a minha reação ao ver a indumentária pois entrou a rir na casa de banho e disse-me:
-Bem Sol, pensei que ias gostar de te sentires uma verdadeira princesa por um dia, e eu, Melanie Richmond, vou ser uma rainha.
    Apenas nesse momento tomei noção de como ela estava vestida, ainda mais espalhafatosa que eu. Tinha uns sapatos com saltos de quinze centímetros amarelo canário, um top cheio de brilhantes cor de rosa, uma saia até aos joelhos cheia de folhos azuis e para finalizar uma coroa. Uma palavra, HORRÍVEL!
    Finalmente, saímos de casa.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Capítulo II

    Cheguei à frente da casa de Charlie(Charlotte) e toquei à campainha. Com sorte seria a mãe dela a abrir a porta podendo assim surpreender melhor Charlie. Foi isso mesmo que aconteceu. Maeve a mãe da minha melhor amiga cumprimentou-me:
-Ó Sol! Já chegaste?! A Charlie não me contou, espera que já vou chamá-la.
-Não por favor Maeve, não chame a Charlie, quero fazer-lhe uma surpresa, ela não sabe que eu estou cá! Ela está sozinha?
-Ah! Então está bem! Não, a Charlie não está sozinha, está com o Alex no quarto
-Hum, obrigada então.
    Enquanto percorria o corredor só pensava em assim fazia a surpresa aos dois ao mesmo tempo, muito fixe! Não achei estranho o meu namorado estar no quarto da minha melhor amiga, afinal eles davam-se super bem! Abri a porta entreaberta sem fazer barulho, is pregar-lhes cá um susto!
    Mas quem apanhou o susto fui eu... Em cima da cama estava o meu suposto namorado e a minha suposta melhor amiga numa sessão intensa de beijos, sem notar em nada nem ninguém a não ser em eles próprios. Não esperei por mais nada! Saí do quarto a correr batendo com a porta, enquanto grossas lágrimas me caíam pela face. Ouvia a Charlie que corria atrás de mim(entretanto já tinham acordado do 'transe') e mais ao fundo a de Alex, mas não percebi o que diziam, estava demasiado ocupada a tentar fugir daquela casa maldita.
    Assim que saí pela porta da rua percebi aliviada que eles não vinham atrás de mim. Em vez disso começaram a bombardear-me com chamadas e mensagens para o telemóvel por isso desliguei-o, sem me preocupar com a aflição que a minha mãe ia sentir quando soubesse o que tinha acontecido à pouco(de certeza que a Charlie já lhe tinha ligado) e que tinha desligado o telefone.
    Nesse momento não tinha cabeça para me preocupar com mais ninguém além da minha dor, por isso fui a correr até ao Central Park(as pessoas deviam estar a achar que eu era maluca) e sentei-me no mesmo banco de sempre, aquele que sentia as minhas lágrimas desde que tinha descoberto aquele local especial, e chorei até sentir a minha alma secar.
    Não sei quanto tempo fiquei sentada naquele banco, a olhar para o nada, só sei que quando a Mel(Melanie) apareceu era crepúsculo. Só me apetecia estar só, mas quando ela abriu os braços como se dissesse "se quiseres posso abraçar-te" corri para ela e os braços dela envolveram-me num abraço de melhores amigas onde se dizia tudo o que eu não queria expressar por palavras. E aí, nos braços quentes de Mel voltei a chorar, e eu que pensava que já tinha secado o meu "tanque" de lágrimas, pelos vistos tinha-me enganado.
    Mel nada disse acerca do meu ataque de choro, em vez disso virou-se para mim e perguntou-me:
-Vamos para minha casa? Já telefonei à tua mãe, que estava louca de preocupação, e perguntei-lhe se podias ir passar o fim-de-semana a minha casa.
-Hum, pode ser- respondi eu já reestabelecida- mas não tenho roupa nenhuma!
-Não te preocupes, tens um pijama teu em minha casa e eu empresto-te roupa.- retorquiu ela.
Não disse mais nada e encaminhamos-nos as duas para sua casa que ficava apenas a um quarteirão.
    A irmã dela, Sarah, abriu-nos a porta, deu-me dois beijos e foi-se embora, Mel devia ter-lhes avisado para terem cuidado com o que me diziam, pensei eu. 
    Fomos para o quarto de Mel, metade dele era ocupado por um enorme armário cheio de roupas, sapatos e malas de marcas como Channel, Dior, Prada, Gucci...
    Mel devia ter achado aquele silêncio excessivo , por isso disse-me:
-Sol, vou À cozinha fazer duas canecas de chocolate quente, quando eu voltar quero-te de pijama, com um filme escolhido por ti ao teu lado e pronta para começar a falar, percebeste? 
Fiz-lhe uma continência no gozo e ela saiu do quarto.
    Peguei num dos muitos filmes que ela tinha debaixo do plasma, vesti o meu pijama quentinho e refiz a minha trança. Finalmente atirei-me para cima da cama da minha melhor amiga sem cerimónia alguma.
    Mel regressou ao fim de quinze minutos com duas canecas de grosso chocolate quente com mini mashmallows a boiar, passou-me uma delas, pousou a sua na mesinha de cabeceira e atirou-se para cima da cama também com pouca cerimónia.
    -Podes começar Sol.-disse-me ela
-Começar o que?- perguntei fazendo-me de desentendida.
-Deixa de te armar em parva! Achas que a Charlie não me ligou?!- impacientou-se ela.
-Ah! A traidora já falou contigo?- perguntei calmamente enquanto enquanto dava um gole na minha caneca.
-Não sejas injusta, Sol! Não é bem aquilo que tu estás a pensar!- retorquiu ela.
-Sim senhora, tens toda a razão! Eu não vi a minha melhor amiga a beijar o meu namorado. Ou então vi mas estavam a treinar para uma peça de teatro em que fazem de casal!- disse ironicamente.
    Mel deu-me um ligeiro empurrão.
-Também não exageres!- disse rindo-se da parvoíce que eu tinha dito- Viste aquilo, não o vou negar. Mas estás disposta a ficar zangada com a Charlie?! Uma das tuas melhores amigas!
-Sugeres então que eu ignore o que se passou e perdoe a Charlie e o Alex?- perguntei.
-Bom, na minha cabeça a ideia parecia fantástica, mesmo perfeita!- desculpou-se Mel.
-Pois, mas já percebeste que não é perfeita, certo? Na realidade é mesmo estúpida!- disse-lhe.
-Pronto, pronto, já percebi! Vamos ver o filme? Deixa-me ir só buscar pipocas.-mudou ela de assunto.
    Assenti na esperança de ter uma noite tranquila sem mais perguntas.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Capítulo I

   Aterrara finalmente na "minha" cidade! Quer dizer, Nova Iorque não era oficialmente a "minha" cidade mas vivi lá sete anos dos meus longos dezasseis anos de vida. Não via a hora de chegar a casa, mudar de roupa e ir ter com Charlotte e Melanie, as minhas melhores amigas.
   Abri a porta de casa de rompante e gritei:
- Mãe! Já cheguei!
- Sol! Que saudades querida!- dizia a minha mãe correndo escada abaixo para me abraçar.
   Ah! É verdade, não disse ainda o meu nome. Chamo-me Solange! Nome HORRÍVEL... Por isso todos me chamam Sol. Solange é herança de família. Vivo em Nova Iorque desde os meus nove anos. os meus pais separaram-se e eu vim da  "minha" verdadeira cidade, Porto em Portugal, para esta, pois a minha mãe desejava afastar-se o mais possível de Portugal. Agora sou obrigada a passar o Verão com o meu pai que ficou no Porto. Abracei rapidamente a minha mãe e por trás dela apareceu meia-leca do meu irmão mais novo, Filippo, que só tem dois aninhos. Depois de vir para Nova Iorque a minha mãe conheceu um italiano, Giovanni, que ainda hoje considero como se fosse meu pai. Estiveram juntos quatro anos,o meu irmão nasceu durante esse período. Após o nascimento do meu irmão as coisas complicaram-se entre eles e acabaram por se separar. Agora vejo Gio(como carinhosamente chamo Giovanni) quase todos os meses.
   Quando consegui libertar-me do abraço sanduíche que o meu irmão e a minha mãe me "ofereceram" corri para o meu quarto a fim de me arranjar. Depois de um relaxante banho de espuma, calcei as pantufas, enrolei-me na minha toalha turca e fui para o meu quarto para me vestir.
    O meu quarto é o mais acolhedor do mundo(para mim, claro)! Todo em tons de roxo e dourado , com uma parede revestida por um grande espelho e uma cama de dossel cheia de almofadas. Dirigi-me ao espelho e gostei do que vi. Durante o Verão não tinha propriamente cuidado com a minha aparência.
    Vi refletida no espelho uma rapariga alta e esguia com um corpo bem definido, pele levemente bronzeada, cabelo preto a dar pelo meio das costas(já não o cortava há muito tempo) perfeitamente liso e escadeado e para completar o quadro uns olhos azuis enormes! Bem... Estava mesmo diferente!   
    Desviei-me do espelho  e os meus olhos fixaram o roupeiro. O que havia de vestir?! Depois de ir ter com as minhas amigas provavelmente iria ter com o meu namorado Alex, logo convinha estar bem arranjada! Acabei por escolher umas calças de ganga simples, um top cai-cai roxo e umas sandálias de camurça. Optei por fazer uma trança com o cabelo.
    Peguei na minha mala, no meu Iphone e saí de casa tendo em mente ir fazer uma surpresa à Charlotte(ninguém além da minha família sabia que eu chegava).