segunda-feira, 25 de junho de 2012

VIII Capítulo

   Estava eu já a sonhar com o galã do filme que tínhamos visto quando comecei a ouvir alguém intrometer-se no meu sonho.
-Sol, Sooool, SOOOL!
Ah, as vozes começaram a fazer sentido... Esfreguei os olhos para acordar e percebi que estava com a cabeça deitada no colo de alguém, olhei para cima e vi que era no colo de Andrew que a minha cabeça estava poisada. Olhei em redor e percebi que já era de manhã. Teríamos adormecido e ficado ali toda a noite?!
-Bom dia dorminhoca!- cumprimentou-me Mel enquanto me entregava uma caneca com café.
-Bom dia!- disse eu levantando-me para receber a caneca.
-Fogo miúda, tu dormes que nem uma pedra!- disse Andrew rindo.
Corei um pouco, mas ignorei o comentário dando um gole no café. Humm! Estava mesmo forte, a Mel tem mania de exagerar em TUDO!
-Passamos todos a noite aqui?!- perguntei eu perplexa.
-Sim.- responde Dave dando sinal de vida- Tu adormeceste a meio do filme mas nós ainda vimos mais um só que acabamos por adormecer...
Comecei a rir-me, era sempre a primeira a adormecer...
-Que tal irmos dar uma volta ao Central Park?- propôs Andrew.
   Obviamente a ideia foi aceite.
                                                            ***
   Em vinte minutos já estavamos todos dentro do Zoo do Central Park. Mel e Dave já se encontravam no  mundo deles quando entramos no recinto dos pinguins, por isso eu e Andrew ficamos sozinhos. Era estranho não conseguir falar com ele, coisa tão fácil antigamente, mas supus que o que aconteceu o Verão passado antes de abandonar Manhattan tenha sido a verdadeira razão da mudança da nossa relação de amizade.
-Sol? Estás bem? Andas muito calada...- disse Andrew quebrando finalmente o silêncio.
   Ocorreram-me mil coisas para lhe dizer, nenhuma conveniente... Já não me sentia tão à vontade com Andrew, mas ele continuava a ser um dos meus melhores amigos. Um dos responáveis de tudo o que aconteceu foi ele por isso achei que ele precisava de saber a verdade.
-Sabes...- disse a medo- Acabei com o Alex por ele me ter traído com Charlie. 
-Sim, já sabia. A Mel contou-me para que eu não te fizesse perguntas incómodas.- explicou-me ele.
-Pois, foi o que aconteceu, mas em parte a culpa também foi minha! Senti-me culpada durante todo o Verão e por isso afastei-me dele. Não o posso culpar completamente, à Charlie sim, a ele não...- expliquei-lhe.
-Isso tudo de te sentires culpada tem alguma coisa a haver com aquilo que aconteceu este Verão antes de ires para Portugal?!- perguntou-me ele com cautela.
-Talvez...- murmurei eu afastando-me dele para ver os pinguins mais de perto.
   Andrew percebeu que eu precisava de estar uns momentos a sós. pelo que, ao fim de algum tempo virei-me e encarei-o:
-Andrew, será que lhe devia ter contado o que aconteceu?! Afinal não passou de um erro...
Andrew meditou durante uns segundos e por fim sentou-se num banco e apontou para o espaço vago que tinha ao lado dele para eu me sentar. Ao fim de alguns minutos disse:
-Olha Sol, eu não sei o que está certo, nem o que está errado, mas os segredos do passado Às vezes criam grandes problemas no presente..
-Então achas que deviamos enterrar o passado?- perguntei eu baralhada.
-Eu não disse isso!- exclamou Andrew- Acho que a decisão é só tua, mas lembra-te, aconteça o que acontecer podes contar sempre comigo! É sempre bom termos um amigo...- disse-me piscando-me o olho.
   Sorri, sabia que em Andrew podia sempre encontrar ajuda, ele era e sempre fora o meu porto de abrigo. Abracei-o e ficamos assim, abraçados, durante algum tempo, como se estivessemos a selar um pacto em que ambos prometiamos deitar o passado para trás das costas.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

VII Capítulo

   O táxista deixou-me à frente do prédio de Mel. Estava num estado lastimável, trazia os sapatos de salto na mão e a maquilhagem estava toda borrada devido às lágrimas.Abri a minha mala e tirei um espelho e uma toalhita, que levava sempre comigo para emergências, e limpei a maquilhagem que estava borrada e retoquei-a.
   Bati à porta, já com a maquilhagem feita e a sentir.me melhor. Ouvi passos no interior e finalmente ouvi o click da porta a abrir-se. Andrew estava à minha frente, com a mão na maçaneta, surpreso por me ver.
-Sol? A Mel disse que vinhas tarde.- disse-me ele surpreso.
Quando viu o meu estado mudou radicalmente para um tom muito mais doce:
-Estás bem? Estiveste a chorar Sol? Entra, entra deves querer descansar.
   Sorri, já estava habituava à constante preocupação de Andrew, era sempre assim desde que o tinha conhecido quando tinha apenas nove anos. Ele sempre achou que era seu dever proteger-nos(a mim, à Mel e à Charlie) por ser o único rapaz do grupo, sim porque Alex e Dave(o namorado de Mel) só tinham entrado no nosso grupo á cerca de três anos e mesmo assim Andrew continuava muito protetor connosco.
   Entrei no quarto de Mel e encontrei-a aos beijos com Dave. Ri-me da atrapalhação deles quando notaram a minha presença. Aproximei-me de Dave e cumprimentei-o com dois beijos, por fim disse:
-Fogo Dave, cresceste rapaz!
Ele começou a rir-se do meu espanto e apertou mais Mel que estava debaixo do seu braço. Não estava a dizer mentira nenhuma. Quando saí de Manhattan para ir de férias para Portugal, Dave era da minha altura agora já me ultrapassava alguns centímetros.
   O ambiente estava  estranho no quarto, por isso sugeri:
-o que acham de ver-mos um filme na sala? Vou só chamar Andrew. 
Eles concordaram por isso fui até ao quarto de Andrew(que eu já conhecia das inúmeras vezes que lá tinha ido para ir jogar playstation ou simplesmente conversar com Andrew) e bati à porta.
   Andrew abriu-me a porta e eu fiz-lhe a mesma pergunta que fiz a Mel e Dave. Obviamente ele aceitou e fomos para a sala de estar de Mel. Eles tinham um televisor plasma enorme e dois sofás de duas pessoas. Sentei-me ao lado de Andrew enquanto Mel e Dave se acomodaram no outro sofá. Decidimos o filme que íamos ver e apagamos as luzes.
   Finalmente, puseram play.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Nota

Nunca esquecer o aniversário da melhor amiga mesmo que não fales com ela à muito tempo e sejas distraída. Ela não vai achar piada nenhuma...
Big fail Filipa...

sábado, 16 de junho de 2012

VI Capítulo

   A noite estava a correr muito bem, até demais. Alex tinha percebido que eu estava distante por isso não tentou abordagens de reaproximação muito descaradas. Evitava olhar para ele, o meu plano podia não resultar se eu olhasse para ele durante mais que alguns momentos.
   Passamos o jantar praticamente todo calados ou então tendo conversa de circunstância. Finalmente ele pagou a conta e saímos. Só aí ele falou do assunto que tinha estado a pairar sobre nós durante toda a noite:
-Mel, vá lá, sê racional, tend de perdoar-me!
Sorri, sabia que ele ia dizer aquilo, mas eu não estava disposta a sofrer mais.
-Não te preocupes, eu perdoo-te.- disse-lhe eu.
   Ele avançou, tentando dar-lhe um beijo, mas eu coloquei as minhas mãos à frente e abanei a cabeça.
-Não Alex.- proferi- Perdoo-te, mas não desse modo, não vou voltar a andar contigo, o que fizeste foi demasiado mau.
As lágrimas afloraram-me novamente os olhos e Alex começou a ir-se a embora quase a correr. Só tive noção que ele se estava afastar-se após alguns segundos. Gritei o nome dele, ele não se voltou, por isso corri atrás dele.
-Alex, o que se passa?- Perguntei.
-Nada, Sol, nada.- respondeu-me ele desanimado.
-Estás a mentir. Diz-me o que se passa, por favor!- supliquei.
   Ele suspirou, percebi que ele finalmente ia ser sincero comigo. 
-Abris-te o teu e-mail durante o Verão?- perguntou-me muito sério.
-Não.- respondi-lhe envergonhada.- E mantive o telemóvel desligado.- confessei envergonhada.
-Eu mandei-te um e-mail TODAS as semanas o Verão inteiro, e tu NUNCA me respondeste.- disse-me desgostoso.
-Desculpa.- sussurrei.
   Ele lançou-me a sombra de um sorriso, parecia estar a lembrar-se de algo engraçado. Por fim disse-me:
-Não te culpo Sol, eu sabia que estas em Portugal e bem de saúde. Mas senti-me magoado.
-Compreendo.- disse-lhe- Mas isso é razão suficiente para me traíres?- perguntei enfurecida.
-Não.- concordou ele.- Mas tu já estavas estranha à algum tempo, no final das aulas estavas muito distante de mim.
   Mordi o lábio. Ele afinal tinha topado isso... Percebi que a conversa já não ia a lado nenhum. Olhei Alex nos olhos e por fim disse:
-Parece-me que já não temos nada a falar. Obrigada pelo jantar.
Dei-lhe dois beijos na cara e virei as costas sem esperar para ver a reação dele. Mandei vir um táxi, entrei e finalmente o táxista perguntou-me:
-Para onde deseja ir a menina?
   Os meus olhos inundaram-se de lágrimas. Para onde ir? Para casa onde a minha mãe e o meu irmão me iam dar apoio? Para casa de Mel onde ela estava à minha espera para eu ver um filme com ela e com Andrew? Ou ir até casa de Charlie e dar-lhe uma oportunidade para se explicar?
   Finalmente, decidi.