quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Capítulo II

    Cheguei à frente da casa de Charlie(Charlotte) e toquei à campainha. Com sorte seria a mãe dela a abrir a porta podendo assim surpreender melhor Charlie. Foi isso mesmo que aconteceu. Maeve a mãe da minha melhor amiga cumprimentou-me:
-Ó Sol! Já chegaste?! A Charlie não me contou, espera que já vou chamá-la.
-Não por favor Maeve, não chame a Charlie, quero fazer-lhe uma surpresa, ela não sabe que eu estou cá! Ela está sozinha?
-Ah! Então está bem! Não, a Charlie não está sozinha, está com o Alex no quarto
-Hum, obrigada então.
    Enquanto percorria o corredor só pensava em assim fazia a surpresa aos dois ao mesmo tempo, muito fixe! Não achei estranho o meu namorado estar no quarto da minha melhor amiga, afinal eles davam-se super bem! Abri a porta entreaberta sem fazer barulho, is pregar-lhes cá um susto!
    Mas quem apanhou o susto fui eu... Em cima da cama estava o meu suposto namorado e a minha suposta melhor amiga numa sessão intensa de beijos, sem notar em nada nem ninguém a não ser em eles próprios. Não esperei por mais nada! Saí do quarto a correr batendo com a porta, enquanto grossas lágrimas me caíam pela face. Ouvia a Charlie que corria atrás de mim(entretanto já tinham acordado do 'transe') e mais ao fundo a de Alex, mas não percebi o que diziam, estava demasiado ocupada a tentar fugir daquela casa maldita.
    Assim que saí pela porta da rua percebi aliviada que eles não vinham atrás de mim. Em vez disso começaram a bombardear-me com chamadas e mensagens para o telemóvel por isso desliguei-o, sem me preocupar com a aflição que a minha mãe ia sentir quando soubesse o que tinha acontecido à pouco(de certeza que a Charlie já lhe tinha ligado) e que tinha desligado o telefone.
    Nesse momento não tinha cabeça para me preocupar com mais ninguém além da minha dor, por isso fui a correr até ao Central Park(as pessoas deviam estar a achar que eu era maluca) e sentei-me no mesmo banco de sempre, aquele que sentia as minhas lágrimas desde que tinha descoberto aquele local especial, e chorei até sentir a minha alma secar.
    Não sei quanto tempo fiquei sentada naquele banco, a olhar para o nada, só sei que quando a Mel(Melanie) apareceu era crepúsculo. Só me apetecia estar só, mas quando ela abriu os braços como se dissesse "se quiseres posso abraçar-te" corri para ela e os braços dela envolveram-me num abraço de melhores amigas onde se dizia tudo o que eu não queria expressar por palavras. E aí, nos braços quentes de Mel voltei a chorar, e eu que pensava que já tinha secado o meu "tanque" de lágrimas, pelos vistos tinha-me enganado.
    Mel nada disse acerca do meu ataque de choro, em vez disso virou-se para mim e perguntou-me:
-Vamos para minha casa? Já telefonei à tua mãe, que estava louca de preocupação, e perguntei-lhe se podias ir passar o fim-de-semana a minha casa.
-Hum, pode ser- respondi eu já reestabelecida- mas não tenho roupa nenhuma!
-Não te preocupes, tens um pijama teu em minha casa e eu empresto-te roupa.- retorquiu ela.
Não disse mais nada e encaminhamos-nos as duas para sua casa que ficava apenas a um quarteirão.
    A irmã dela, Sarah, abriu-nos a porta, deu-me dois beijos e foi-se embora, Mel devia ter-lhes avisado para terem cuidado com o que me diziam, pensei eu. 
    Fomos para o quarto de Mel, metade dele era ocupado por um enorme armário cheio de roupas, sapatos e malas de marcas como Channel, Dior, Prada, Gucci...
    Mel devia ter achado aquele silêncio excessivo , por isso disse-me:
-Sol, vou À cozinha fazer duas canecas de chocolate quente, quando eu voltar quero-te de pijama, com um filme escolhido por ti ao teu lado e pronta para começar a falar, percebeste? 
Fiz-lhe uma continência no gozo e ela saiu do quarto.
    Peguei num dos muitos filmes que ela tinha debaixo do plasma, vesti o meu pijama quentinho e refiz a minha trança. Finalmente atirei-me para cima da cama da minha melhor amiga sem cerimónia alguma.
    Mel regressou ao fim de quinze minutos com duas canecas de grosso chocolate quente com mini mashmallows a boiar, passou-me uma delas, pousou a sua na mesinha de cabeceira e atirou-se para cima da cama também com pouca cerimónia.
    -Podes começar Sol.-disse-me ela
-Começar o que?- perguntei fazendo-me de desentendida.
-Deixa de te armar em parva! Achas que a Charlie não me ligou?!- impacientou-se ela.
-Ah! A traidora já falou contigo?- perguntei calmamente enquanto enquanto dava um gole na minha caneca.
-Não sejas injusta, Sol! Não é bem aquilo que tu estás a pensar!- retorquiu ela.
-Sim senhora, tens toda a razão! Eu não vi a minha melhor amiga a beijar o meu namorado. Ou então vi mas estavam a treinar para uma peça de teatro em que fazem de casal!- disse ironicamente.
    Mel deu-me um ligeiro empurrão.
-Também não exageres!- disse rindo-se da parvoíce que eu tinha dito- Viste aquilo, não o vou negar. Mas estás disposta a ficar zangada com a Charlie?! Uma das tuas melhores amigas!
-Sugeres então que eu ignore o que se passou e perdoe a Charlie e o Alex?- perguntei.
-Bom, na minha cabeça a ideia parecia fantástica, mesmo perfeita!- desculpou-se Mel.
-Pois, mas já percebeste que não é perfeita, certo? Na realidade é mesmo estúpida!- disse-lhe.
-Pronto, pronto, já percebi! Vamos ver o filme? Deixa-me ir só buscar pipocas.-mudou ela de assunto.
    Assenti na esperança de ter uma noite tranquila sem mais perguntas.

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